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				No primeiro semestre de 2007, fomos convocados pelo Prof. Dr. Edvaldo Brito a assumir, em parceria, a disciplina “Metodologia da Pesquisa em Direito”, no Programa de Pós-Graduação em Direito da UFBA - Universidade Federal da Bahia, em substituição ao Prof. Edivaldo Boaventura, que estava se desligando do Corpo Docente.
O desafio era imenso.
Com efeito, o convite era para substituir um dos grandes nomes brasileiros em Educação e Direito, que tinha desenvolvido um trabalho precioso, revalorizando a matéria e abrindo novas perspectivas de atuação na área do Direito.
Aceita a missão, vários diálogos foram travados, em alegres reuniões filosóficas e gastronômicas (com viva participação do colega e amigo Willis Santiago Guerra Filho), para estabelecer qual seria o perfil do curso a partir daquele momento.
Com formações acadêmicas diferenciadas, considerou-se que a idéia de uma regência compartilhada da disciplina deveria aproveitar este histórico pessoal, adequando-o às necessidades vislumbradas no corpo discente da instituição.
Assim, reconhecendo a enorme e louvável contribuição dada pelo antecessor na cadeira, investiu-se na idéia, que já vinha sendo desenvolvida, de demonstração da importância histórica e prática da disciplina, ainda que utilizando uma metodologia particular de ensino.
De fato, sempre é importante ressaltar, para aqueles que se aventuram no exercício acadêmico da pós-graduação, que forma e conteúdo são dialéticos, pois o não cumprimento dos aspectos formais, em um “desapego” desfundamentado, equivale, indubitavelmente, a um relaxamento intelectual, em uma inaceitável postura de “indolência acadêmica”.
Daí, dividiu-se a proposta efetiva da disciplina em duas partes.
A primeira, de conteúdo epistemológico, propugna pela compreensão das características da Ciência e da Pesquisa Científica, bem como o conhecimento das diferentes abordagens da produção científica, com a internalização das fases do processo de investigação científica.
A segunda, de conteúdo evidentemente pragmático, importa no desenvolvimento de um Projeto de Pesquisa, com o conhecimento de técnicas de coleta e análise de dados para a pesquisa científica, sem descurar da informação das regras para apresentação de resultados, disciplinadas pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.
A metodologia de ensino tomou, como elemento fundamental, a revisão da literatura seminal do pensamento ocidental, sobre metodologia da pesquisa, permitindo um aprofundamento filosófico que o profissional do Direito muitas vezes não está acostumado (a ponto da disciplina ter sido apelidada carinhosamente, em alusão ao filme, de “Tropa de Elite”, bem como seus professores de “Capitão Nascimento” e “Major Nelson”, com a política de “resiste ou pede para sair...”).
Este mergulho epistemológico, porém, não é feito de forma aleatória.
A discussão dos textos toma como premissa a ênfase na utilidade para dissertação ou tese que se esteja desenvolvendo, o que permite um treinamento acadêmico de argumentação, retórica e reflexão.
Mais duas tarefas são exigidas.
A primeira é a reapresentação do Projeto de Pesquisa, readequado sempre ao mais recente edital do Programa, com a inserção das reflexões metodológicas feitas no semestre.
E a última é a elaboração de um texto sobre aplicação da Metodologia da Pesquisa no Direito.
E foi justamente a qualidade de textos desenvolvidos que animou a construção deste livro que o leitor recebe, agora, em suas mãos.
A pujança intelectual encontrada fez com que, naturalmente, a idéia de uma coletânea destes textos fosse organizada.
Anunciada a proposta, lançaram-se, com sucesso, no início de 2010, duas alentadas coletâneas (cada uma com cerca de 700 páginas), com o apoio da Fundação Faculdade de Direito, que patrocinou a publicação, permitindo à comunidade jurídica (baiana, nacional e internacional) o acesso à produção intelectual do Programa de Pós Graduação em Direito da UFBA - Universidade Federal da Bahia.
Dando continuidade ao trabalho, a reunião de novos textos, com o fito de organizar outras coletâneas, era e é o caminho natural a ser seguido, o que continua, definitivamente, em nossos planos.
Todavia, uma circunstância especial mudou o primeiro passo desta nova caminhada.
Com efeito, em função do aumento do número de vagas no Programa, a nossa disciplina, obrigatória para todos os cursos (Mestrado e Doutorado) e áreas de concentração (“Direito Público” e “Direito das Relações Sociais e Novos Direitos”), teve de ser dividida em duas turmas, para conseguir atender a todos os novos discentes interessados, bem como à demanda de alunos antigos com pendência da creditação.
Isso soou, para nós, como algo bastante terrível, pois importaria na quebra do modelo implementado com sucesso, em que os dois docentes permaneciam na sala de aula, instigando o debate e as reflexões jurídicas e filosóficas, sempre com ênfase nos projetos de pesquisa.
Fizemos, neste momento, uma “proposta indecente”.
Designar as duas turmas para o mesmo horário e nós faríamos um esforço concentrado para reunir todos os discentes, na sala da congregação, para ministrar as aulas.
Era uma “idéia louca”, que tinha tudo para dar errado...
Todavia, na realidade, a química com a turma funcionou perfeitamente e tivemos um dos melhores semestres de nossa parceria, do ponto de vista da profundidade do debate e da reflexão filosófica.
Fazer um livro com aquela turma maravilhosa seria mais do que um desafio acadêmico, constituindo-se em um prazeroso coroamento de uma exitosa e heterodoxa experiência didática.
E, dado o brilhantismo da turma, a simples idéia de uma coletânea parecia muito pouco.
E, acolhendo e aperfeiçoando a sugestão de Daniela Portugal, uma das discentes do grupo, resolveu-se delimitar o corte epistemológico do texto, apresentando, para a posteridade, o que se fazia interna corporis: analisar a vida e a filosofia de grandes pensadores da humanidade ocidental, contextualizando sua contribuição para a metodologia da pesquisa e para o Direito.
 Trata-se do livro "Metodologia da Pesquisa em Direito e a Filosofia", lançado em 2011, pela Editora Saraiva, com grande sucesso.
Poderíamos nós dizer que combatemos o bom combate, cumprimos a carreira e guardamos a fé.
Com efeito, três alentados livros em quatro anos de parceria é um resultado invejável, que poucos conseguiriam.
Mas, como canta Mick Jagger, "I can't get no satisfaction".
Ficar satisfeito, com a sensação de dever cumprido, como se mais nada pudesse ser feito é algo que não se coaduna com as nossas personalidades.
Daí, quando tivemos, novamente, outra turma de tamanho monumental, achamos que poderíamos fazer um novo desafio.
De fato, o advento da internet permitiu que o acesso à informação fosse disponibilizado em tempo real.
 A dificuldade do passado, em que pesquisar equivalia a garimpar textos em empoeirada bibliotecas e arquivos públicos e privados, foi transformada.
De fato, agora não mais se garimpa como outrora.
O que se faz hoje, diante do amplo cabedal disponível de informações, é lapidar.
 Lapidar o conhecimento que já é público, mas que nem todos compreendem.
Por isso, diante do material humano maravilhoso que dispunhamos, resolvemos desafiar dois jovens e talentosos mestrandos, Leonardo Gaudenzi e Raquel Bezerra, a criarem um espaço virtual para divulgação do material discutido na disciplina, bem como das pesquisas feitas pelos discentes.
Esta iniciativa tomou a forma de um site e de um blog.
No primeiro, disponibilizam-se preciosas informações sobre a disciplina e sobre o material tomado para reflexão, bem como produzido, sobre ele, pelos próprios pós-graduandos.
No segundo, divulga-se, para toda a comunidade nacional e internacional, textos desenvolvidos na matéria, de forma a garantir a todos o mais amplo contato com a inteligência do nosso Corpo Discente.
É este brilho que nos empolga e renova o nosso ânimo!	 
		
						           	Salvador, junho de 2011,
Rodolfo Pamplona e Nelson Cerqueira

Faculdade de Direito da UFBA

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